terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Entrevista: José Luis Sanfelice






                                                Fonte: Diálogo Informativo Online



Em continuidade ao debate sobre a educação no Brasil, o Espaço de Criação Literária Bertold Brecht entrevistou uma importante personalidade dessa  área do conhecimento.
Trata-se de José Luís Sanfelice, professor Titular da cátedra  de História da Educação na Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP  (aposentado).  Sempre se dedicou ao estudo da filosofia da educação e  políticas educacionais.
Sanfelice, demonstrando absoluto  domínio do tema, discorreu por horas agradáveis sobre a atual pedagogia que se pratica no Brasil e seus desdobramentos face ao que denomina de  “ditadura do capital”.
O mestre e autor também comentou sobre seu livro “Movimento estudantil: a UNE na resistência ao golpe de 64”.

ECL- Nos férreos anos ditatoriais no Brasil, conte-nos como surgiu o interesse em estudar a Une na resistência ao golpe de 64?

JOSÉ LUIS SANFELICE- Eu estava cursando doutorado na PUC na década de 80 ainda vivendo os rescaldos da ditadura. Nesse processo fizemos um acordo onde foram divididos alguns temas da educação para serem estudados numa pesquisa acadêmica. Surgiu a proposta para que cada aluno indicasse uma temática adequada para futuras pesquisas. Escolhi o movimento estudantil numa indicação condicionada à vivência e práticas no mesmo.
À época participava de várias manifestações de ruas, tendências politicas, ideológicas que fizeram com que eu sentisse na própria pele  as consequências. Já no curso de graduação assisti a queda do congresso da UNE em Ibiúna afetando vários colegas que ficaram presos, acarretando assim, grande trauma, aquela situação foi extremamente constrangedora para mim. Nos anos 70 a repressão continuou intensa e a UNE teve que passar para a clandestinidade. Por nossa vez o maior desafio foi tentar fazê-la sobreviver. Meu grande interesse era observar sob perspectiva teórica o que este movimento de estudantes estava produzindo. Isso não tencionou de forma alguma  traduzir a consciência de todos à época, mas dava conta de explicar o que ocorria no Brasil. Busquei documentação, revisão bibliográfica  e então a tese foi convertida no livro: “Movimento estudantil: a UNE na resistência ao golpe de 64”.

ECL:  Há muitos modelos pedagógicos sendo discutidos hoje no país. Qual é a crítica maior em relação à pedagogia moderna aplicada no Brasil?

JOSÉ LUIS SANFELICE - Gosto muito de um livro da pesquisadora Lúcia Neves: A nova pedagogia da hegemonia, uma obra interessantíssima, coletânea de um grupo de pesquisa muito sólido do ponto de vista teórico. Nela fica clara a face do que se apresenta hoje no Brasil, ou seja, um modelo educacional predominante que advém de novos paradigmas filosóficos, isso significa o grande movimento cultural que chamamos genericamente pós- modernismo, que contesta o princípio da racionalidade. Para substituir a razão a busca do pós moderno caminhou para a subjetividade, relativismo da verdade e desembocou na auto ajuda. Essa grande movimentação tem implicações no modelo vigente. Dos anos 80 para cá a pedagogia tem uma origem institucional que vem das agências, Unesco, Banco Mundial e FMI. O próprio relatório Jacques Delors prescreve as diretrizes de um modelo educacional destacando entre outros fatores: os pilares do conhecimento  e as habilidades que cada estudante deve ter.
 O que ocorre no Brasil é a conformação e assimilação aos acordos internacionais. Há toda uma orquestração que produziu o que pode se chamar de “pedagogia da hegemonia”, ou seja, uma educação liberal numa versão neo para escamotear seu real sentido, com tendência a ser pouco diretiva. Assim, perdemos um arcabouço da produção cultural histórica que ninguém vislumbra mais. São dois fenômenos mundiais: a literatura de autoajuda e a igreja. Se pela primeira o ser humano não conseguir superar seus problemas o que lhe resta é apelar à segunda e suas  divindades. Essa perspectiva de mundo focada na educação finda no apostilamento que mesmo as escolas públicas compram do sistema privado. Ela representa uma estratégia da globalização para que a formação em países periféricos supra um determinado tipo de mão de obra que cabe à mesma no sistema mundial de produção.
Nesses moldes os ícones midiáticos da educação assumem como intelectuais a gestão desta. A eles restam somente os interesses de caráter econômico. Nesse contexto ela também passa a ser entendida como mercadoria seguindo a lógica do capital. Esses esquemas implicam no uso de novas tecnologias, padronização de textos, material didático num desdobramento econômico imenso com esta conotação de mercado. Gradativamente os bancos irão estimular a privatização da educação como é o caso do estado de São Paulo com a maior privatização desta área no país. Esta é a grande tônica deste processo ao qual denunciamos e tentamos resistir.

ECL- Diante das várias ideologias políticas que se apresentam no país. O que é a esquerda no Brasil hoje?

JOSÉ LUIS SANFELICE - Não temos esquerda hoje, literalmente seria toda manifestação de caráter revolucionário que se opusesse ao sistema capitalista. Como já não temos essa radicalidade nos chamados partidos de esquerda, temos no máximo uma manifestação social democrática ou 3ª via.Os governos hoje independentemente do partido cuidam minimamente das questões sociais, ou seja, azeitam a máquina para a sociedade capitalista não entrar em falência. Suas ações políticas são focadas na administração da desgraça.
Num país como o Brasil, por exemplo, nunca tivemos estado de bem estar social diferente dos países de primeiro mundo. Hoje perdemos muito.
A perspectiva histórica depois das “previsões” de Fukuyama alicerçava-se na seguinte hipótese: capitalismo ou a barbárie, sendo que a segunda encontra-se já totalmente inserida no primeiro.
 Temos a sensação hoje que a resistência aos desmandos deste sistema existe em grupos minoritários no país.

ECL- Como se articula ideologicamente o movimento estudantil no Brasil hoje?

JOSÉ LUIS SANFELICE- O país tem um movimento estudantil regido pela UNE com um quadro semelhante ao passado com tendências que encontram-se configuradas como estão. No meu livro não temos a presença do PT, pois não existia. Hoje existe uma diversidade, mas, já há algum tempo que é uma tendência só que administra o movimento estudantil como base de apoio ao PT, ou seja,  a instituição submete-se à orientação do Partido dos Trabalhadores.Essa proximidade com o estado não constrói resistências. Conheço outro movimento interessante, o: UJC (União de Jovens Comunistas) que militam paralelamente.Outro dado preocupante é que  muitos estudantes nunca chegarão perto de nenhum movimento como estes.

ECL-Em abril o supremo aprovou as cotas raciais. Qual é o seu posicionamento sobre elas?

JOSÉ LUIS SANFELICE- Um forte fortalecimento do ensino fundamental e médio levaria a um resultado mais interessante na questão da cota. O ensino fundamental está quase universalizado no Brasil , na questão de oferta e acesso inicial. Outro ponto é que a cota é um procedimento de política focada, ou seja, outro governo pode entrar e acabar com o mesmo. A mídia também espetaculariza um pouco certas questões.
Enfim, torna-se difícil discutir isso com quem está utilizando o sistema.





Abaixo elencamos os livros que marcaram a vida do professor Sanfelice:



































A nossa dica de Leitura :


Editora: Alínea

Abraços,
Juliana Gobbe


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Bertold Brecht


Em 2010 inauguramos em Atibaia o Espaço de Criação Literária. O objetivo da entidade sempre foi o de promover a literatura entre os jovens. Acreditamos que para tanto devíamos trabalhar com oficinas e debates.
Nos inúmeros encontros que realizamos novas perspectivas foram construídas coletivamente.

Já há algum tempo sustentavamos o desejo de nomear este espaço de criação estética e literária.  Vários nomes foram levantados, mas apenas um evidenciou-se o bastante para a homenagem: Bertold Brecht.
Diante da aprovação dos amigos escritores apresentamos ao público o: ESPAÇO DE CRIAÇÃO LITERÁRIA: BERTOLD BRECHT. O legado do dramaturgo e poeta alemão para o ocidente faz-se sempre atual em virtude das questões por ele abordadas em vasta obra teatral e poética. Segundo o próprio Brecht: “... a forma épica é a única capaz de fornecer à arte a matéria para uma representação total do universo”.
Assim, o formato das conversas e oficinas literárias permanecerá o mesmo, ou seja, prevalece a prática de uma leitura profunda da contemporaneidade em face às obras relevantes publicadas até então.



A EMIGRAÇÃO DOS POETAS


Homero não tinha morada
E Dante teve que deixar a sua.
Li-Po e Lu-Tu andaram por guerras civis
Que tragaram 30 milhões de pessoas
Eurípides foi ameaçado com processos
E Shakespeare, moribundo, foi impedido de falar.
Não apenas a Musa, também a polícia
Visitou François Villon.
Conhecido como “o Amado”
Lucrécio foi para o exílio.
Também Heine, e assim também
Brecht, que buscou refúgio
Sob o tecto de palha dinamarquês.


Bertolt Brecht
Abraços,
Juliana Gobbe

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A partida do humanista.

 
 
 
 
 


Por Miriam Ilza Santana
Eric Hobsbawm nasceu no dia 09 de junho de 1917, na cidade de Alexandria, no Egito, quando este ainda era de domínio britânico. Ele era filho do comerciante e boxeador amador Leopold Percy Hobsbaum, de origem inglesa, e de Nelly Grün, austríaca, ambos de origem judaica. Compartilhava da companhia de sua única irmã, Nancy.
Um erro ortográfico na hora em que foi registrado fez com que Eric tivesse seu sobrenome alterado.
Viena e Berlim são os cenários de seus primeiros anos de vida, época em que a Áustria e a Alemanha, devido à Primeira Guerra Mundial, padeciam com a alarmante crise econômica que se instaurara e a conseqüente agitação social que esta provocou.
Em 1931, após a morte dos pais, Hobsbawm e sua irmã foram morar com seus tios em Berlim. Lá, uniu-se ao movimento socialista estudantil e iniciou seus estudos sobre as obras de Karl Marx.
Em 1933, quando Adolf Hitler ascendeu ao poder, Hobsbawm mudou-se para Londres, fugindo da perseguição nazista, mas principalmente por ter conseguido uma Bolsa de estudos na Universidade de Cambridge, onde forma-se em História.
Sua ideologia o leva a ser um militante político de esquerda, então ele se filia no Partido Comunista da Grã-Bretanha, que neste momento apoiava o regime Stalinista – o mesmo que alguns anos atrás expatriara a ala esquerda do PC soviético, que contava com a participação de Leon Trótski, o criador da Quarta Internacional.
Eric conhece então sua primeira esposa, Muriel Seaman, militante do partido, de quem veio a se separar oito anos mais tarde.
Quando ocorreu a Segunda Guerra Mundial – entre 1939 e 1945 –, ele ingressou no Exército Britânico para lutar contra os nazistas; por ter o domínio de quatro línguas colaborou também nos trabalhos de inteligência.
Com o término da guerra, Hobsbawm realiza seu curso de Doutorado na mesma Universidade em que se formou, período em que se une a alguns amigos e constitui o Grupo de Historiadores do Partido Comunista.
Fez parte também do grupo de historiadores marxistas britânicos, do qual participaram Christopher Hill, Rodney Hilton e E.P. Thompson, entre outros.
Em 1959, publica Rebeldes Primitivos, o qual trata dos movimentos camponeses de resistência e do protesto anticapitalista.
Em 1962 lançou A Era das Revoluções, o primeiro de uma quadrilogia, seguido por A Era do Capital (1884-1875), a Era dos Impérios (1875-1914) e A Era dos Extremos (1914-1991). Esta série de Eric ficou conhecida como “Era do Século XX”
A Era dos Extremos – publicado em 1994, na Inglaterra -, tornou-se uma das obras mais lidas e recomendadas para quem deseja estudar a recente história da humanidade. O livro faz um estudo dos principais acontecimentos que se desdobram de 1917 – período que engloba o fim da Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa – até 1991, quando chegaram ao fim os regimes socialistas da ex-União Soviética e dos países do leste europeu.
Em 1991 casou-se novamente, agora com uma professora de música, Marlene Schwarz, a qual o abençoou com dois filhos.
Em 1969, publicou sua famosa tese de nome “Bandidos” – obra recomendada para aqueles que estudam mais profundamente a história dos cangaceiros brasileiros.
Em 1995, convidado pela Folha de São Paulo, pela Companhia das Letras e pelo Diners Club, o célebre escritor Eric Hobsbawm visitou o Brasil, ficou alguns dias na cidade de Paraty (RJ) e ministrou uma palestra no Masp, em São Paulo.
No dia 09 de dezembro de 1997 foi medianeiro no debate a respeito da questão social do Brasil, no encerramento da Conferência “Brasil Rumo ao Século 21”, que ocorreu no Centro de Estudos Brasileiros, sediado em Oxford, na Inglaterra.
Eric Hobsbawm é tido como um dos mais célebres historiadores atuais, faz parte da Academia Americana de Artes e Ciências, foi professor de história no Birkbeck College (Universidade de Londres) e atualmente é professor da New School for Social Research, de Nova Iorque.
Livros publicados:
A Era das Revoluções
Era do Capital
A Era dos Impérios
Era dos Extremos
Sobre História
História Social do Jazz
Pessoas Extraordinárias: Resistência, Rebelião e Jazz
Nações e Nacionalismo desde 1780
Tempos Interessantes (autobiografia)
Os Trabalhadores: Estudos Sobre a História do Operariado
Mundos do Trabalho: Novos Estudos Sobre a História Operária
Revolucionários: Ensaios Contemporâneos
Estratégias para uma Esquerda Racional
Ecos da Marselhesa : dois séculos revêem a Revolução Francesa
Co-edição ou organização
A Invenção das Tradições
História do Marxismo (12 volumes)

Abraços entristecidos,
Juliana Gobbe

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Catulo: Canto do encanto.


Catulo da Paixão Cearense trouxe ao Brasil  toda a espontaneidade da cultura popular em sua caracterização genuína de um país pouco conhecido em sua vertente essencialmente nobre.

Abraços,
Juliana Gobbe

domingo, 19 de agosto de 2012

Óculos de Marfim

video

Obrigada Atibaia pela presença no lançamento deste livro que homenageia os trabalhadores do Brasil.

Abraços,
Juliana Gobbe

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A educação no Brasil



     O blog do Espaço de Criação Literária dá início a partir desta semana a uma série de entrevistas com educadores autores. A série pretende fomentar o ciclo de debates sobre a educação contemporânea no Brasil. Na abertura teremos uma entrevista memorável concedida por um dos grandes pilares da educação brasileira: O Profº Drº  José Claudinei Lombardi, coordenador executivo do HISTDBR ( Grupo de Estudos e Pesquisas "História, Sociedade e Educação no Brasil) na UNICAMP ( Universidade Estadual de Campinas). Ao longo da conversa o Profº José Claudinei discorreu entre outros assuntos sobre a necessidade da inserção da pedagogia crítica nas escolas brasileiras.
      Lombardi lançou no 1º semestre deste ano o livro: "Educação e Ensino na obra de Marx e Engels", fruto de ampla pesquisa da análise e perspectiva dos teóricos alemães sobre a educação. 






       ECL- Como se deu sua proximação com o Marxismo?


JOSÉ CLAUDINEI LOMBARDI- Na juventude eu fui seminarista e tinha uma atuação nas comunidades eclesiais de base. Uma inserção política cada vez maior me levou a fazer o curso de filosofia e teologia integrada que era dado para os seminaristas franciscanos. A opção pelos pobres e a teoria da libertação não só entre católicos...Havia uma busca para apreender o método de análise do Marxismo .

         ECL- Como fica a educação no mundo capitalista?

JOSÉ CLAUDINEI LOMBARDI- Na educação que se faz no Brasil quem detém a hegemonia da nossa sociedade a toma não como um direito do cidadão. Gradativamente  a educação vai se transformando em mercadoria.Quando se coloca a escola como um espaço de mercantilização se abre mão da crítica.Nos nossos cursos de pedagogia não se trabalha os educadores contra- hegemônicos. O aluno precisa saber...conhecer melhor grandes educadores, como: Paulo Freire e Demerval Saviani.

       ECL- A infância e o mundo do trabalho...

JOSÉ CLAUDINEI LOMBARDI-  Grande parte das crianças que habitam a cidade são filhas de trabalhadores...sendo obrigadas a trabalhar. Isso é real. Muitas estatísticas são enganosas..na periferia há uma atividade econômica capitaneada pela contravenção...que são geridas pelo tráfico. É uma atividade monopólica como qualquer outra atividade e isso é comandado pelos grandes impérios burgueses. Grande parte da força de trabalho usada na periferia nestas atividades é infantil.Na minha visão a educação deve estar atrelada ao trabalho, ou seja, as pequenas atividades junto à funções na família. Não é uma hortinha no fundo de escola isso não é educação revolucionária. A escola que é adequada para esta infância é a escola que consiga abranger a totalidade das crianças em idade escolar, e, nela tem que haver uma educação integral que forme a criança em todas as suas dimensões.

ECL-O papel das redes sociais nas transformações da sociedade...

JOSÉ CLAUDINEI LOMBARDI- Tudo que vem pra contribuir pro máximo de socialização da informação é bem vindo. O grande problema que eu vejo na circulação da informação é que tudo circula ao mesmo tempo de uma maneira fragmentada. Tudo tem que ser rápido não dá pra compor uma unidade de pensamento. No mundo da escrita há um filtro...quem escreve e edita, por exemplo o livro didático. N o mundo da informática é difícil  checar a veracidade das informações.

ECL- As inserções na Sociologia rural...

JOSÉ CLAUDINEI LOMBARDI- Pesquisei sobre os Xavantes  numa perspectiva em face ao desenvolvimento do capitalismo no Brasil.

                                                             Fonte:educadoresnoface.blogspot








 Deve se a abolir todas as formas de opressão. Bilhões de seres humanos estão na miserabilidade... vivem à margem da sociedade brasileira. Hoje a esquerda está num momento triste, mas, de reencontro e também de fragmentação.
José Claudinei Lombardi.


Dica: Livro: Educação e Ensino na obra de Marx e Engels
Autor: José Claudinei Lombardi
Editora: Alínea 

Abraços,
Juliana Gobbe  

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Réquiem por Ruth Handler


Trechos do poema.....


Morreu ontem a mãe da Barbie,
a boneca adolescente. A filha
que nunca será órfã, pequeno duende
de sutiã 38 e de 33 polegadas
de altura
Morreu a mãe da Barbie, que vai
a todas as festas  de gala e enegreceu
há uns anos, qual Naomi Campbell, para
ser consumida pela boa
consciência racial do Ocidente
Morreu a mãe da Barbie, que jamais a viu
padecer de uma gravidez adolescente, nem paixão, nem desgosto, nem fome
A Barbie é sabida e deve ter tido educação
sexual. Que fará ela com Ken
no regresso de tantas festas
Morreu a mãe da Barbie, cedo demais
para inventar uma Barbie de burka,
ou com explosivos escondidos no cinto...

Inês Lourenço


Abraços,
Juliana Gobbe

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Últimos dias da exposição sobre Jorge Amado em São Paulo

"Tudo...tudo na Bahia faz a gente querer bem...a Bahia tem um jeito". Caetano Veloso tinha razão ao escrever a canção Terra. A Bahia é amada...de Amado de Mãe Menininha e tantos outros. Ao passear pelo 2º piso do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo respira-se todo o encantamento dos últimos dias da exposição: Jorge Amado Universal.Comunismo e misticismo comungam o mesmo espaço na obra do escritor baiano. A esposa e também escritora Zélia Gattai fez certa vez o seguinte comentário sobre o autor em seu livro Memorial do Amor: "Na boca de Pedro Arcanjo, personagem de Tenda dos Milagres, Jorge colocou uma frase sua que repetia sempre ao ser interpelado sobre sua ligação com o candomblé: Sou materialista, mas meu materialismo não me limita".Não percam a exposição.






Abraços,
Juliana Gobbe





segunda-feira, 9 de julho de 2012

Ferréz: A voz de Capão




"Um Ferréz mais calmo, mas nem por isso mais otimista, está em Deus Foi Almoçar (Planeta), romance escrito durante oito anos de "incertezas" e que será lançado dia 3 de julho em São Paulo. Teria dado certo seguir vestindo a camisa de escritor da periferia, renovando as histórias de Capão Pecado, livro que o revelou, ou deManual Prático do Ódio, que o consagrou. Ferréz continuaria sendo chamado para festas literárias daqui e do além-mar, ainda seria consultor de cineastas para assuntos de periferia, poderia ficar rico. Mas ele quis mais, e teve coragem de mudar a direção de sua carreira literária com um livro em que não se lê sequer a palavra favela. Em que a violência é muito mais interior do que do ambiente.

Atrás da aparente calmaria de pastas e arquivos organizados milimetricamente vive o funcionário padrão Calixto, um homem nem pobre nem rico, invisível, abandonado pelo pai e pela mãe, depois pela mulher e filha, que se distrai caminhando pelo bairro enquanto conta postes, observando a vizinha no quintal, se maltratando e nunca se envolvendo com os outros".


Abraços,
Juliana Gobbe

domingo, 17 de junho de 2012

Aproximações...


O casamento do pequeno burguês (Bertold Brecht)

SINOPSE

"O Casamento do Pequeno Burguês" foi escrito quando o jovem Brecht tinha apenas 21 anos e seus pensamentos sobre o teatro estavam ainda mais próximos às suas influências expressionistas do que o teatro épico/dialético que viria a desenvolver durante a sua vida. Apesar da montagem estar separada quase um século da data em que foi escrito, o texto permanece atual.
A história se passa durante a festa de um casamento da alta sociedade. O jogo de hipocrisia vai ganhando tempero à medida que o tédio, o cansaço e o álcool começam a fazer efeito entre os convidados. Uma das poucas comédias do dramaturgo alemão, onde as tradicionais regras de convivência, bem como os móveis aparentemente sólidos, desmoronam-se. O resultado é um espetáculo que questiona as relações sociais e os jogos de aparências tão comuns na nossa sociedade”.

 

O Casamento dos pequenos burgueses

Chico Buarque
1977-1978


Ele faz o noivo correto
E ela faz que quase desmaia
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a casa caia
Até que a casa caia
Ele é o empregado discreto
Ela engoma o seu colarinho
Vão viver sob o mesmo teto
Até explodir o ninho
Até explodir o ninho
Ele faz o macho irrequieto
E ela faz crianças de monte
Vão viver sob o mesmo teto
Até secar a fonte
Até secar a fonte
Ele é o funcionário completo
E ela aprende a fazer suspiros
Vão viver sob o mesmo teto
Até trocarem tiros
Até trocarem tiros
Ele tem um caso secreto
Ela diz que não sai dos trilhos
Vão viver sob o mesmo teto
Até casarem os filhos
Até casarem os filhos
Ele fala de cianureto
E ela sonha com formicida
Vão viver sob o mesmo teto
Até que alguém decida
Até que alguém decida
Ele tem um velho projeto
Ela tem um monte de estrias
Vão viver sob o mesmo teto
Até o fim dos dias
Até o fim dos dias
Ele às vezes cede um afeto
Ela só se despe no escuro
Vão viver sob o mesmo teto
Até um breve futuro
Até um breve futuro
Ela esquenta a papa do neto
E ele quase que fez fortuna
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a morte os una
Até que a morte os una.


Abraços,
Juliana Gobbe

quarta-feira, 13 de junho de 2012

1.922



 POÉTICA
Manuel Bandeira

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas.
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare.
- Não quero saber do lirismo que não é libertação.


Abraços,
Juliana Gobbe

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Love is in the air

 O acróstico abaixo foi escrito pela adolescente Letícia Rodrigues, 16. A jovem escritora homenageia o amor e o dia dos namorados.
A data, embora, extremamente mercadológica ainda mantém sua aura romântica no imaginário de muitos.


 Doce é o sabor de receber um agrado ou elogio,
Independente do dia, mês ou ano
Através da pessoa que você mais ama...

Dominando seus sentimentos, você não sabe
O que fazer, pois você fugiu completamente de
Si mesmo e agora só pensa nele/a...

Namorados...eternos namorados!
Assim os casais devem ser,
Mesmo que a aliança dourada,
Ocupe um de seus dedos da mão esquerda,
Reviva todos os bons momentos,
Acenda ainda mais a chama da paixão,
Deixe que a magia desse dia invada
O seu coração...e complete a 
Sua felicidade dizendo: Eu amo você !!

Letícia Rodrigues




Abraços,
Juliana Gobbe

segunda-feira, 28 de maio de 2012

X LITERARTE

O Colégio Paulistano realizou no último sábado mais uma Literarte. O evento intitulado "Que arte Atibaia tem"? homenageou os artistas de Atibaia, entre as atrações: bonecões, bon odori, exposição de fotos, lançamento de livro e oficinas literárias.
























Abraços,
Juliana Gobbe

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Exposição celebra os 100 anos de Jorge Amado.



Informações:
Museu da Língua Portuguesa
Praça da Luz, s/nº
Centro - São Paulo - SP
(11) 3326-0775
museu@museulp.org.br

Abraços,
Juliana Gobbe

terça-feira, 8 de maio de 2012

Os 90 anos de André Carneiro

O Espaço de Criação Literária parabeniza o mestre André Carneiro pelos seus 90 anos de contribuição para a cultura brasileira.


Abraços,

Juliana Gobbe

domingo, 22 de abril de 2012

Exposição: Millôr com humor



 

Grandes nomes da caricatura brasileira prestam homenagem em mostra inédita ao desenhista, escritor, humorista e jornalista brasileiro, Millôr Fernandes, falecido em 27 de março. Até o dia 28 de abril, Ao Millôr com humor pode ser conferida na Praça de Eventos do Shopping Plaza Sul. São mais de 50 caricaturas expostas, com organização do curador Jal. Entre os artistas que estão expondo estão Seri Carvall, Cassio Manga, Paulo Emmanuel, Miguel Falcão, Claudio Moura e Baptistão. A mostra pode ser conferida de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingos e feriados, das 14h às20h, com entrada franca.
 18/04/2012 - 28/04/2012

Praça de Eventos do Shopping Plaza Sul (Praça Leonor Kaupa, 100 - Saúde. São Paulo/SP. Tel.: 11-4003-7220).

Abraços,
Juliana Gobbe

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Tecendo poemas com Amarilda Marques


 A escritora Amarilda Marques concedeu ao Espaço de Criação Literária uma entrevista contando um pouco sobre o seu mais recente trabalho, o livro: Tecendo Poemas.


 Ala Jovem-Como foi o seu primeiro contato com a literatura?


AMARILDA MARQUES- Muito cedo. Ganhei um concurso literário aos oito anos. Na escola onde eu estudava produzia uma redação toda sexta-feira na aula de Língua Portuguesa e eu adorava, não via a hora de chegar esse dia para colocar no papel as ideias que fervilhavam na minha cabeça a semana toda.Minhas redações nessa época eram muito longas, mas, pareciam um conto.


Ala Jovem- Qual é o papel do escritor na sociedade contemporânea?

AMARILDA MARQUES- Em primeiro lugar escrever e depois tentar com a sua obra literária atingir todos os patamares da sociedade e levar aos seres humanos que formam essa sociedade através de poemas, contos, novelas, filmes, músicas...enfim...histórias que possam mexer com o imaginário de todos tocando-os de alguma maneira e levando-os a refletir acima de tudo sobre seus direitos, deveres e valores já que estamos vivendo numa era de violência e muita falta de amor. Com a literatura podemos notar transformações nas pessoas que tiveram a chance de ter em mãos certas obras. Desejo que a sociedade moderna se renda aos encantos do mundo e se torne uma sociedade melhor, mais humana e sensível.

Ala Jovem- Como se deu o processo de criação do seu livro mais recente?


 AMARILDA MARQUES- Ao longo do tempo fui escrevendo e guardando meus poemas...eram vários e quando surgiu a oportunidade eu apenas selecionei e comecei a montar o livro. Foi um processo demorado, pois já aguardava há anos pela realização desse sonho. Eu tinha vários trabalhos publicados em coletâneas de verso e prosa e lançar meu primeiro trabalho individual foi o máximo.

Ala Jovem- Como é a sua relação com os leitores?

 AMARILDA MARQUES-  Eu costumo dizer que a maioria das pessoas ainda não tomou gosto pela leitura e não costuma ler poesia, por isso, não têm como opinar, cho que no Brasil ainda falta espaço para os escritores, pois o público leitor é pequeno. Fico triste...existem livros bons no mercado,mas, ninguém compra. As pessoas que souberam que eu escrevi o livro, gostaram e me elogiaram bastante. Eu procuro escrever numa linguagem simples para atingir todas as classes sociais e todos os tipos de público e espero sempre que eles possam se inspirar e que notem semelhanças entre a vida deles e a que está no papel.



Ala Jovem- Fale sobre seus projetos futuros.

AMARILDA MARQUES- Meu próximo projeto é um livro de contos . Já existe até uma certa cobrança por parte das pessoas. Mais tarde pretendo publicar um livro infantil que já está quase pronto só preciso das ilustrações.

Abraços,

Juliana Gobbe

sábado, 7 de abril de 2012

Feira Literária de Bogotá leva 48 escritores brasileiros.

País homenageado na 25ª Feira Internacional do Livro de Bogotá, que começa no dia 18, o Brasil investiu R$ 3,4 milhões para organizar a programação que contará com 48 autores nacionais, além de músicos e artistas.

"O Brasil é a bola da vez, e a literatura é um caminho para apresentar o país", disse o presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Galeno Amorim.

Segundo ele, a feira de Bogotá é a primeira de uma série em que o país será homenageado nos próximos anos -com destaque à de Frankfurt, a mais importante do mundo, em 2013- e faz parte da estratégia da FBN para ampliar a presença de autores nacionais no exterior.

O pavilhão brasileiro, desenhado pela cenógrafa Daniela Thomas, ocupará um sexto da área total da feira e terá auditório, espaços gastronômicos e de negócios, além de uma livraria com dez mil volumes de autores nacionais, tanto em português quanto em espanhol.

A seleção dos escritores que participarão do evento levou em conta sugestões dos organizadores -que indicaram nomes conhecidos na Colômbia, como Nélida Piñon, Ziraldo e Affonso Romano de Sant'anna- e de editoras nacionais.

A lista buscou "pluralidade", misturando jovens como Ferréz, João Paulo Cuenca e Daniel Galera a nomes consagrados como Marina Colasanti, Silviano Santiago e Lêdo Ivo.
                                         Marina Colassanti

                                          Ferréz


Também foi convidada Margarida Patriota, autora de 26 livros e irmã do ministro das relações exteriores, Antonio Patriota, cujo ministério é um dos patrocinadores do evento. O MRE e a Biblioteca Nacional afirmam que a autora não terá despesas pagas pelo governo. "Ela nos consultou para saber se haveria inconveniente em razão do parentesco", disse o presidente da biblioteca".



Abraços,

Juliana Gobbe

quarta-feira, 28 de março de 2012

O Brasil sem Millôr


A literatura  perde hoje uma das inteligências mais fulgurantes do país. Millôr Fernandes dentre muitas coisas fundou o famoso Pasquim. O artista desenhou e satirizou a cena brasileira como poucos. Também ficou muito conhecido por suas traduções impecáveis da obra de Shakespeare.

Abraços,
Juliana Gobbe

sábado, 17 de março de 2012

Literaturanossa



O sarau Literatura Nossa é realizado pela Associação Cultural Literatura no Brasil para fortalecer e incentivar a literatura na periferia de Suzano.
Onde: Ponto de Cultura Círculo das Letras: Rua Bandeirantes, 606. Jardim Revista. Suzano – SP
Quando: terceira sexta-feira do mês, às 19h30
Quanto: gratuito
Informações: (11) 4752-3996

Abraços,

Juliana Gobbe

sábado, 10 de março de 2012

Clarice...O primeiro beijo



Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:

- Sim, já beijei antes uma mulher.

- Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...

Ele se tornara homem.

Clarice Lispector

(In "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998


Abraços,

Juliana Gobbe

segunda-feira, 5 de março de 2012

Simplesmente Cooperifa



Em outubro de 2001, os poetas Sérgio Vaz e Marco Pezão organizaram, num bar de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, o primeiro Sarau da Cooperifa.
Quase ninguém soube, quase ninguém viu --e durante um bom tempo foi assim. Dez anos depois, e desde 2003 em outro endereço, um boteco no Jardim Guarujá, zona sul da capital, o encontro poético é um acontecimento da periferia paulistana.
Fundador da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia), Vaz, sete livros publicados, criou filhotes do sarau.
Fez a Semana de Arte Moderna da Periferia, a Mostra Cultural da Cooperifa, a Poesia no Ar (balões soltos com versos), a Chuva de Livros, o Cinema na Laje, o Ajoelhaço (em que homens pedem perdão às mulheres) etc.
E o sarau irradiou poesia pelas bordas da cidade.
Há pelo menos 50 encontros do tipo em São Paulo, a maior parte na periferia. Dos saraus surgiram escritores elogiados --como o próprio Vaz, Binho e Sacolinha-- e um nicho editorial.

Marlene Bergamo/Folhapress
Sérgio Vaz (centro) e Cocão (de boné) no Sarau da Cooperifa
Sérgio Vaz (centro) e Cocão (de boné) no Sarau da Cooperifa
Saíram da periferia iniciativas como as Edições Toró, de Allan da Rosa, e o Selo Povo, de Ferréz --que não faz sarau, mas os elogia e vai a muitos lançar seus livros. Até uma editora tradicional, a Global, criou um selo de literatura periférica.
O movimento das franjas ganhou o respeito do centro, "do outro lado da ponte".
"Estamos no meio de uma revolução. A poesia, que até o século passado era vista como arte de elite, está mudando de dono e de classe social, indo para a periferia. É a coisa mais importante da literatura brasileira hoje", diz o poeta Frederico Barbosa, diretor da Casa das Rosas, que abriga saraus na avenida Paulista, organizados com o auxílio de Marco Pezão.
A professora da UFRJ Heloisa Buarque de Hollanda vê essa cena como um renascimento "dos velhos saraus de salão do século 19" transfigurados, um "rito de passagem entre o privado e o público".
A onda poética periférica se junta a um bom momento para a poesia no mercado editorial. Novas coleções são lançadas e poetas inéditos chegam ao país.
Esta edição voltada ao verso destaca ainda o novo livro de Francisco Alvim, novas expressões poéticas em meios não impressos e a obra do crítico americano David Orr, que discute o significado de ler poesia hoje.O Cooperifa acontece em um local que durante o dia funciona um bar e toda quarta a noite se transforma num palco improvisado e se reúnem desde donas de casa a estudantes junto com cervejas e o famoso escondidinho... gritos de liberdade, desabafos de trabalhador, declarações de amor... ali uma pessoa comum sobe no palco e vira uma estrela, lava sua alma e divide suas alegrias, revoltas e dores com o público, é simplesmente lindo...

Fábio Victor

Abraços,

Juliana Gobbe

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Sarau Palmarino



"Este evento é de iniciativa do núcleo Embu das Artes do Circulo Palmarino, corrente do movimento negro. Acontece na periferia de Embu das Artes, município da grande São Paulo. A atividade reúne músicos, poetas, dançarinos, ativistas culturais e pessoas da comunidade e da região".

Onde: Sede Nacional do Circulo Palmarino - Rua Campos Sales, 12. Presidente Kennedy. Embu das Artes – SP
Quando: todo último sábado do mês, às 19h
Quanto: gratuito
Informações: (11) 9840-7244 (com Juninho), (11) 7656- 8193 (com Rodrigo) ou   circulopalmarinoembu@yahoo.com.br.

Abraços,

Juliana Gobbe